Secretário-geral da Fifa critica o Morumbi e fala em novo estádio paulista na Copa
Para Jérôme Valcke, a casa são-paulina não tem condições de abrigar abertura, semifinal, final ou disputa de 3º lugar no Mundial de 2014.
Renato Ribeiro Joanesburgo, África do Sul.
Em evento em Joanesburgo, na África do Sul, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, criticou a estrutura dos estádios brasileiros para a Copa do Mundo de 2014 em geral, mas principalmente o Morumbi. Segundo Valcke, a casa do São Paulo não tem condições de abrigar nem o jogo de abertura do Mundial e muitos menos os jogos decisivos da competição, como semifinal, final ou a disputa do 3º lugar. A solução seria a construção de um novo estádio.
A principal reclamação do secretário geral é com relação ao espaço externo do Morumbi, já que o local não possui estacionamento e poucas rotas.
- O problema é o espaço fora do estádio - disse Valcke.
Para um estádio receber um jogo importante de Copa precisa ter área suficiente fora para receber um centro de imprensa, área de estacionamento para caminhões de transmissão de TV, área para patrocinadores receberem VIPs e estacionamento. A diretoria do São Paulo, porém, em conjunto com o poder público, tem um planejamento para sanar esses problemas até 2014, com a construção de um edifício-garagem nas proximidades e com a chegada do Metrô.
Como a final deve ser no Maracanã, no Rio de Janeiro, o Morumbi é um dos candidatos a abertura. São Paulo disputa o direito com as cidades de Porto Alegre, Belo Horizonte e Brasília.
- Em nenhum momento alguém do comitê ou da Fifa disse que São Paulo abriria a Copa. Quatro cidades mostraram interesse nesse jogo inaugural. Houve observações a todos os projetos e todos estão no mesmo nível. As coisas só vão ficar mais claras a partir de fevereiro do próximo ano - explicou o assessor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva.
Jérôme Valcke ainda ressaltou que nenhum estádio de São Paulo está em condições. A construção de um novo projeto seria a alternativa. Para discutir o assunto, o secretário deve se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de São Paulo, José Serra.
- Está na hora de o Brasil começar a trabalhar. Não nada lá. Um estádio sequer em condições. Temos de aproveitar que ainda temos alguns anos pela frente. São Paulo deve apresentar um novo projeto, um outro estádio - afirmou o dirigente da Fifa.
Valcke também foi duro com o Danny Jordaan, diretor-executivo da Copa de 2010. Jordaan é candidato a presidente da Federação Sul-Africana de Futebol. A eleição é daqui a 18 dias. Para a FIFA um homem não senta em duas cadeiras. Jordaan terá de escolher o que quer: o Comitê Organizador ou a organização. Mas disse que o caso de Ricardo Teixeira no Brasil é diferente.
- Ele já está eleito.
Assim, Teixeira será presidente da CBF e, ao mesmo, do Comitê de 2014.
SÃO PAULO DEFENDE O MORUMBI
Assim que tomou conhecimento da posição de Valcke, a diretoria do São Paulo afirmou que o projeto do Morumbi para ser uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 está dentro das expectativas. Além disso, no início de setembro o clube entregou ao comitê organizador o projeto atualizado, inclusive com as modificações pedidas pela própria Fifa.
Matéria publicada no site globoesporte.com
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Posted: setembro 8th, 2009 under Matérias.
Tags: Arena, CBF, FIFA, Jerome Valcke, Morumbi 2014, Ricardo Teixeira


Comment from Ricardo
Time setembro 13, 2009 at 5:43 pm
São Paulo precisa de um novo estádio.
A cidade de São Paulo, sem contar a área metropolitana, tem uma população que é maior que a soma das populações de Londres e de Buenos Aires.
Pois bem:
Londres possui 13 estádios com capacidade para mais de 20.000 pessoas.
Buenos Aires possui 14 estádios com capacidade para mais de 20.000 pessoas.
E São Paulo? A maior cidade do Hemisfério Sul, a mais importante do Brasil – país do futebol, possui 3 (três) estádios com capacidade para mais de 20.000 pessoas…
Detalhe: esses 3 estádios – Morumbi, Pacaembu e Parque Antarctica – são anacrônicos, totalmente inadequados aos padrões determinados pela FIFA.
É uma falácia dizer que “São Paulo já tem estádios demais…”
Vamos ser claros: não se constrói um novo grande estádio em São Paulo porque a prefeitura e o governo do estado não querem.
E não querem não é por questões técnicas. É por questões pessoais. Clubísticas. Pelo sãopaulinismo e, principalmente, pelo anticorinthianismo das pessoas com poder de decisão.
Um novo grande estádio, fosse qual fosse o seu proprietário, teria como maior usuário o Corinthians, clube da maior torcida da cidade e do país, a qual hoje em dia tem que disputar os cerca de 15.000 ingressos de arquibancada e geral nos jogos do Pacaembu (as demais acomodações do estádio municipal são destinadas para “numeradas” e “cadeiras especiais”, cujos preços são inacessíveis para a maioria dos corinthianos).
Com o novo grande estádio, e sem o Corinthians, o Pacaembu se transformaria em um elefante branco. Para satisfação dos moradores das cercanias, que já fazem do estádio e de seu conjunto esportivo uma academia particular, e que passariam a ter tudo isso de modo exclusivo par eles.
Pior talvez seria a situação do Morumbi, ou melhor, do seu proprietário, o São Paulo. O Morumbi não se sustenta com a fria e frequentemente ausente torcida tricolor. Isso é reconhecido pelos próprios dirigentes tricolores, que dizem que a maior fonte de renda do estádio são shows como os de Madonna, Jonas Brothers, etc.
Sem dúvida, um novo grande estádio paulistano atrairía os grandes shows para sí. Desse modo, o Morumbi estaria fadado à fechar suas portas; talvez, ser demolido e ter o seu terreno ocupado por algum supermercado ou grande templo religioso…
Em suma, um novo estádio paulistano seria benéfico para a cidade em sí, para a grande maioria da população e para o Corinthians.
Por outro lado, um novo estádio paulistano seria ruim para a proprietária do Pacaembu (a prefeitura) e para o proprietário do Morumbi (o São Paulo).
Eis a real disputa que se desenrola por trás da mera definição da sede paulista da Copa – 2014.